Nós Ouvimos e Julgamos: Não Quero Ser Pai, Quero Ter Um Filho
Peguem seus martinis (ou espressos, se preferirem), pois hoje iremos falar sobre pessoas que desejam ter filhos como forma de status, mas não estão prontas para encarar as responsabilidades que isso exige.
Filhos Como Perfeição: Uma Idealização Perigosa
Na sociedade atual, muitas vezes as crianças são vistas como uma extensão dos pais, quase como um símbolo de realização pessoal. Ter um filho educado, talentoso e exemplar é tratado como prova de sucesso, enquanto o lado humano – cheio de erros, aprendizado e crescimento – é ignorado. Com isso, a criança acaba sendo pressionada a atender expectativas que nunca deveriam ser dela.
Eu mesma sempre sonhei em ter três filhos, um deles sendo adotado. Mas sei que isso exige mais do que o desejo ou idealizações. É preciso entender que crianças não nascem para atender às nossas expectativas. Elas são indivíduos com falhas, assim como nós. E criar um filho significa estar disposto a crescer junto, porque ser pai ou mãe é algo que se aprende no dia a dia, e não algo que “vem naturalmente”.
Como Superar o Desejo De Um Reflexo Nosso?
A jornada de criar um filho exige muito mais do que simplesmente prover cuidados materiais ou ensinar boas maneiras. Ela envolve aprender a lidar com as falhas, frustrações e até com a sensação de não ter as respostas para tudo.
Nesse sentido, muitos pais acreditam que os filhos devam seguir o caminho que já foi planejado antes do nascimento: faculdade, religião, costumes, sexualidade… Assim, quando projetamos essas idealizações, esquecemos que os filhos são indivíduos, com desejos, sonhos e caminhos próprios.
E é, nesse contexto, que eu percebo como meus pais foram o maior exemplo de quem eu quero ser, lutando totalmente contra essa idealização de uma filha “perfeita”. Já que, em 2024 passei muito tempo confusa sobre qual carreira eu deveria seguir, e a única coisa que meu pai falava era a que eu fosse feliz, porque era a única coisa que ele queria me ver sendo.
Por isso, é importante notar como aquele tipo de idealizações são extremamente perigosas pois podem gerar um grande sofrimento — tanto para os pais quanto para os filhos (que se veem presos a expectativas que não refletem suas reais necessidades ou desejos). Em vez de acolher os filhos como eles são, com suas próprias jornadas e identidades, muitos pais tentam moldá-los para preencher um vazio pessoal. Isso não só cria um distanciamento emocional, como também limita o desenvolvimento genuíno da criança.

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