“Odeio Todo Mundo” (Mas Vive Por Validação)
“O inferno são os outros” - Sartre
Irônico, não? A afirmação que odeia todo mundo sai de maneira tão leve porém afiada, como se abandonasse todos medos e inibições da vida.
Como se não precisasse de ninguém.
As pessoas podem ser irritantes: o jeito que falam, suas decisões (sem pensar principalmente) e claro, como conseguem viver suas vidas sem parecer que estão prestes a desabar. A outra face da moeda é contraditória, mesmo odiando todos, a busca por um olhar de aprovação, uma mensagem, uma curtida, está ali sempre assombrando.
Essa dualidade se torna um loop infinito. Odeio o sistema, mas quero ser parte dele. Detesto sentir a necessidade de agradar, mas não sei viver sem reconhecimento de alguém.
Mas como saber quando isso é validação ou carência? Como saber quando virar para essas pessoas e falar: “eu te entendo, todo mundo pode se odiar um pouco também”.
Até porque, é mais fácil jogar a culpa nos demais do que encarar um abismo, um vazio interno que anseia por validação.
No fundo, odiar todo mundo é apenas um jeito estranho de pedir por amor.

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